12 de setembro de 2009

Sem nada pra fazer...

Hoje, em meio a amargura do vão da tarde e a doçura do escurecer eu me vi pensando sobre a verdadeira arte de viver... Viver é muito mais do que colocar em ação a vida... Viver é correr riscos. É sonhar. É brincar. É brigar. Viver é apertar a campanhia e sair correndo. Viver é sair lá fora e ver que apertaram sua campainha... e não tem ninguém! Viver é simplesmente praticar e sofrer ações, porém, não é completamente "vida" se os atos sofridos ou praticados não nos tornam felizes...O que nos torna felizes? Dinheiro? Amor? Trabalho?
Eu diria que tudo isso é essencial... mas acima disso tudo, a vida só é bem vivida a partir do momento em que você se olha no espelho e é capaz de se ver! Sem nenhuma nuvem lhe cobrindo a alma! E isso é felicidade! Ser você e se enxergar sendo você! Eu diria que viver é... sei lá! (Coisa complexa e chata de se definir...)
Hoje, só para não passar em branco os 61 anos de Caio Fernando Abreu, eu digo: "Que seja doce!" Que sua vida seja doce!

10 de setembro de 2009

Aniversário

Neste ano, pela primeira vez, senti uma extrema necessidade de me presentear no meu aniversário... Um dos motivos, talvez, seja que, é meu primeiro ano de vida, de 24 anos de existência... Senti vontade de me dar parabéns: "Parabéns! Você criou vergonha na cara, fez o que sempre quis, foi você mesmo, e está pagando pra ver! Te admiro muito!"... Foram essas palavras que ensaiei ontem para dizer a mim mesmo, hoje! Ahhh...sem esquecer do final: "...E que se dane o resto!"...
Mas, então, como me presentear? Roupas? Objetos? Filmes? Viagens? Não! Queria algo que durasse para sempre! Opa! Dia 09/09/09! Segundo os chineses, o número "nove" indica "durabilidade", tanto que eles escolhem essa data para marcarem seus casamentos... Então! Nas vésperas do meu aniversário, eis que, às pressas, marquei minha segunda tattoo, teria que ser no dia 09/09/09, para que no dia 10, meu aniversário, eu me presenteasse com aquela marca, dolorosa, porém, saborosa (quem não tem seu lado sádico que atire a primeira pedra!)... Mesmo já tendo uma tattoo, essa segunda veio para marcar em mim o que eu desejo que seja "duradouro", se possível, "eterno"... Ah! E mesmo que não dure, foi importante! Não foi algo impensado! Eu sei que se o que eu sinto HOJE passar, não for mais correspondido, eu terei prazer em tê-la em mim, mesmo assim!
Então, hoje, quando levantei-me às 05:34h da manhã e percebi que meu travesseiro estava borrado de tinta, acendi a luz, olhei a figura borrada no espelho, corri ao banheiro e a lavei... e eis que o presente estava lá, lindo! Brilhando! Ainda cheirando a sangue... mas, era o meu sangue, e o que eu sinto está lá... no sangue, nas veias!
Sinto-me feliz em ter esse desenho, que só eu e a única pessoa interessada entendem... (nem sei se ela entende mesmo...rs) mas ali, com o Cruzeiro do Sul protegendo, marcando presença...
De quebra, tive um outro presente, fui acordado com o telefonema, às 05:31 da manhã, da pessoa pela qual eu sou capaz de tudo... Tudo mesmo!!!
T.A.M.
Parabéns pra mim! Hoje posso dizer que, mesmo sendo 09:16h, já tive meu dia de aniversário COMPLETO!

7 de setembro de 2009

Confesso [3]

Confesso que ontem, enquanto revivia um passado já enterrado, sofri certas angústias e aflições... Foi revendo uma história que vivi - sem final, por sinal - que temi, mais uma vez, viver mais uma história incompleta... Mas dessa vez não era um medo como os outros... O meu medo era composto de perdas que ultrapassavam o final de um história de amor... o meu medo era imaginar que dessa vez, junto com o sentimento mais nobre existente no mundo - o amor -, iriam se expelir de mim outros sentimentos puros e extremamente necessários para minha continuidade, como cumplicidade, amizade verdadeira, companheirismo... Confesso que de tanto pensar nessas coisas, começo a me acostumar com essa dor incômoda... Será que "doer" é minha sina? Já não basta uma vida inteira de dores internas refletidas em sorrisos falsos e felicidades forçadas? O que sei é que hoje acordei mais forte, hoje eu sei que sou capaz de qualquer coisa - mas qualquer coisa mesmo! - para não deixar de "viver meu presente"... e, se possível, carregando-o para o meu futuro, porque sem ele, eu volto para uma caverna interior que me deixaria em coma profundo, aguardando apenas a morte... Morte? Não exatamente um óbito, com direito a um enterro cheio de pessoas falsas chorando e dizendo coisas bonitas a meu respeito... A morte tem várias nuances, várias faces... Pode-se sorrir estando morto, pode-se trabalhar estando morto, pode-se tudo estando morto, inclusive "viver"!
Sinceramente, não sei o que confessei agora, nesse momento... as palavras saíram soltas, perdidas, assim como eu me sinto... mas sei que estou em um momento de reconstrução do meu ser, sei que dentro de poucas horas posso tomar minha "carga de vida" e voltar a enxergar o colorido de antes, ouvir as belas canções que se foram, enxergar que tenho todos os motivos do mundo para ser feliz... Enquanto isso, olho para o passado e vejo que o que deixei para trás, por mais que tenha doído, ensinou-me a amar certo, ensinou-me a agir de forma correta quando se está feliz... Afinal, se mesmo com dores, sou feliz hoje, é porque um dia sofri para aprender que felicidade não é simplesmente encontrar a pessoa certa, e sim, fazê-la manter-se ao seu lado, sem pressões, sem obrigações, simplesmente por sentir-se bem na sua companhia.

6 de setembro de 2009

Analisando o (meu) tempo...

"Hoje, faz exatamente 23 anos, 11 meses e 26 dias que existo... mas, que realmente vivo faltam dois dias para completar 7 meses... Sou feliz por ter tido a oportunidade de me encontrar, de me aceitar, de me entregar a minha realidade... e espero que daqui 4 dias, quando entrar no meu 24º ano de existência, possa vivê-lo por completo..."

Confesso [2]

[Na foto, o primeiro sol de setembro de 2009, visto do Cruzeiro, em São Thomé das Letras-MG]

Um dia após o "Confesso [1]":
Confesso que hoje acordei com medo... está tão perto de tudo acontecer, tão perto de meu corpo se tornar transparente... e assim, todos poderão enxergar minha alma, suas cores, seus brilhos; ouvir sua trilha sonora... Confesso que o que mais queria na vida era isso... mas agora, tão perto, tão certo... causa medo! Vou embora, é isso que sei, mas pra onde? As incertezas só servem para que eu tenha certeza que as vezes me sinto sozinho e perdido dentro de meu próprio ser... ainda bem que tenho alguém pra dizer "te amo"... mesmo sem ter certeza se esse alguém me acompanha até a próxima parada ou se ele fica enquanto eu parto... Não porque duvido de suas palavras, mas por temer o destino, temer o amanhã, temer as terceiras pessoas do singular e do plural... Confesso que acordei sangrando pelas lacunas da minha alma e não sei se essas feridas se cicatrizarão um dia... só sei que pago o preço, não me permito mais o "não tentar" por medo de "perder"... o máximo que pode acontecer é eu ter que me desintegrar em milhares de partículas e me recompor... mesmo que seja incompleto novamente, como antes do amor invadir meu ser... mas será que, agora, saberia viver incompleto? 

Confesso [1]


[Na foto, eu e o último pôr-do-sol de agosto de 2009, em São Thomé das Letras-MG]
Eu confesso que saí de uma armadura de ferro, que me sufocava... que saí da hipocrisia, das máscaras... confesso que vivi mais de 23 anos para os outros, e vivi meus últimos 5 anos para uma pessoa específica... mas não por amá-la, mas por saber que ela me amava, por saber que eu era amado e poderia manter algumas aparências, era como um troféu que eu possuía... as pessoas admiravam e tinham a certeza de que eu era feliz com aquele "objeto"... mas para mim, era inútil e me causava sofrimento... Eu já não acreditava mais que poderia um dia viver como eu queria, sendo eu mesmo, jogando todas as mentiras para trás, rompendo todas as regras impostas pela sociedade, escancarando para os quatro cantos que eu existia!!! Que eu poderia sim SER EU MESMO! Até que um dia criei forças e deixei de estar no "piloto-automático", fugi do "stand-by" e encarei minha realidade, encarei minha alma... encontrei realmente uma pessoa que me completa, aquela que eu sempre busquei, e que estava mais perto do que poderia imaginar... confesso que ao olhar para ela pela primeira vez foi como um espelho refletindo minha alma... e eu amava tudo que nela doía, porque eu sabia que não sentia aquelas dores sozinho... eu deixei de ser único, deixer de ser monstro... existia mais alguém ali, com as mesmas dores, os mesmos medos, os mesmos sofrimentos... quando me estendeu as mãos, eu apenas segurei, e confesso, encontrei-me comigo mesmo, aceitei que eu não era aquilo que vivi tanto tempo, na verdade, eu era muito melhor, poderia ainda ser melhor... Bastava amar... amar de verdade, sem "porquê", sem "para quê"... amar simplesmente por amar, por sentir-me bem... sem precisar mostrar nada pra ninguém... Confesso que hoje sou feliz, simplesmente por ter me permitido ser eu mesmo: humano...